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	<title>Fofoca não modifica</title>
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		<title>Fofoca não modifica</title>
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		<pubDate>Mon, 28 Dec 2009 22:23:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>fabioveronesi</dc:creator>
				<category><![CDATA[Uncategorized]]></category>

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		<description><![CDATA[FOFOCA NÃO MODIFICA Observo pessoas fofocando. Tento fazer com que não percebam que as observo. Estão tão entretidas em fofocar que não me notam. Me aproximo e constato que falam de uma terceira pessoa, conhecida de ambas, que está ausente. Me afasto um pouco para observar melhor, não me interessa o conteúdo do que falam [...]<img alt="" border="0" src="http://stats.wordpress.com/b.gif?host=fofocanaomodifica.wordpress.com&#038;blog=11120760&#038;post=15&#038;subd=fofocanaomodifica&#038;ref=&#038;feed=1" width="1" height="1" />]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align:center;"><span style="color:#ff0000;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><span style="font-size:large;"><strong>FOFOCA NÃO MODIFICA</strong></span></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Observo pessoas fofocando. Tento fazer com que não percebam que as observo. Estão tão entretidas em fofocar que não me notam. Me aproximo e constato que falam de uma terceira pessoa, conhecida de ambas, que está ausente. Me afasto um pouco para observar melhor, não me interessa o conteúdo do que falam e sim a forma como falam &#8211; o tom de suas palavras e os gestos que as acompanham. É muito interessante a gestualidade de quem fofoca &#8211; as mãos vão à boca e um ou dois dedos entrecortam a ar que sai com as palavras. Riem muito e levam bastante a mão aberta ao coração. Durante as falas, as pessoas continuamente se aproximam e se afastam do ouvido uma da outra. Às vezes olham para os lados, como se quisessem ter certeza que ninguém mais irá ouvir o que irão falar em seguida.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">A fofoca está presente em todas esferas sociais</span>. Pais e mães fofocam dos filhos(as) e vice-versa, mulheres formam grupos para fofocarem dos seus maridos e vice-versa, parentes fofocam de parentes com outros parentes, amigos(as) fofocam sobre amigos(as) com outros/as amigos(as), funcionários fofocam sobre suas instituições de trabalho e sobre a atuação de seus gerentes, consumidores fofocam sobre o atendimento e qualidade de produtos e de estabelecimentos comerciais, alunos fofocam sobre outros alunos e sobre seus professores e sobre o que acham da escola em que estudam, fiéis fofocam sobre padres, eleitores fofocam sobre políticos, vizinhos fofocam sobre as pessoas da vizinhança, &#8230;</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>É interessante notar que <span style="color:#ff0000;">apesar de ser</span> um momento de troca de informação “<span style="color:#ff0000;">secreta</span>”, a <span style="color:#ff0000;">fofoca não cria maior intimidade</span> entre as pessoas. Fofoca é uma pseudointimidade. Fazer fofoca parece com trocar intimidade porque mostra um pouco do que escondemos. Mas, está longe de ampliar a intimidade exatamente <span style="color:#ff0000;">porque revela</span> enquanto ato, <span style="color:#ff0000;">os motivos</span> pelos quais <span style="color:#ff0000;">não</span> podemos <span style="color:#ff0000;">confiar</span> uns nos outros.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Não há problema em se falar de pessoas ausentes à conversa</span>, sobre suas características ou sobre fatos que ocorreram, <span style="color:#ff0000;">desde que a intenção seja elaborar melhor</span> as opiniões, dividir com um amigo, um terceiro, dificuldades na relação com outro amigo ou com pessoas da família. Isso pode ser muito saudável para as relações, desde que sua finalidade seja <span style="color:#ff0000;">preparar-se</span> melhor <span style="color:#ff0000;">para uma conversa direta e franca</span> com a pessoa da qual se falou com outro(s).</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Falar “por trás” é um indício claro de que aquilo nos incomoda(ou) de alguma forma</span>. Às vezes, seguramos pequenos incômodos ou sofremos pequenas frustrações que foram jogadas para o subconsciente, onde perdemos a possibilidade de entrar em contato franco com elas. Podemos arquivar e carregar incômodos por certo tempo sem nem mesmo nos apercebermos deles (na verdade sem querermos nos aperceber deles).</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>O ato de ‘falar por trás’ é um sinal, um aviso claro de que existe <span style="color:#ff0000;">necessidade de tomarmos consciência de coisas que estamos disfarçando de nós mesmos</span>. Por isso o ato de ‘falar por trás’ pode ser um <span style="color:#ff0000;">amigo para quem decide perceber o que isso significa</span>. O conteúdo e a forma da comunicação, o que dizemos e ouvimos em <span style="color:#ff0000;">fofoca</span> e a forma como fazemos isso, são sempre reveladores. <span style="color:#ff0000;">Revela emoções</span> &#8211; elas fluem mais livremente quando falamos daquele conteúdo ‘por trás’ das pessoas, fora do quadro de referência que criamos com elas. Revela um lado não assumido normalmente, revela fatos inéditos e <span style="color:#ff0000;">revela</span> as <span style="color:#ff0000;">opiniões não ditas</span> quando se ‘fala <span style="color:#ff0000;">de frente</span>’, sobre os fatos narrados, sobre as pessoas e seus comportamentos.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Quem se apercebe dessas revelações ganha <span style="color:#ff0000;">importante material de auto-análise</span> e melhor entendimento de si, das pessoas e das relações. Por isso, <span style="color:#ff0000;">fazer fofoca pode ser positivo se a gente decide usar esse fato para conscientizar-se do que andamos contendo e porque o estamos fazendo</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Quem decide <span style="color:#ff0000;">enfrentar o desafio de comunicar diretamente</span><span style="color:#3deb3d;"> </span>aquilo que ficou emocionalmente claro ser necessário comunicar, dá o próximo passo no <span style="color:#ff0000;">processo de transformação pessoal</span>. Quem consegue comunicar o que sente ser preciso, provoca transformação em si mesmo, nas pessoas e no mundo.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Quem persiste nesse caminho logo descobre que <span style="color:#ff0000;">sinceridade não é dizer tudo que se acha sobre as coisas e as pessoas</span>. A isto poderíamos chamar de <span style="color:#ff0000;">“sinceridez”</span> &#8211; uma mistura de <span style="color:#ff0000;">sinceridade com estupidez</span>. As pessoas não estão abertas para ouvir críticas sobre si. Precisamos estar cientes dos motivos que temos para fazer isso.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>De forma análoga, com relação ao que falamos sobre nós mesmos, cabe entender que <span style="color:#ff0000;">sinceridade não é dizer para os outros tudo o que fazemos</span>, revelar atos ilegais, imorais ou socialmente desaprováveis. A isto poderíamos chamar de <span style="color:#ff0000;">“confecionismo”</span> e não sinceridade. Muitas vezes o que nos move a confessar não é a busca da sinceridade, mas de <span style="color:#ff0000;">chamar atenção</span> sobre nós mesmos.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Sinceridade</span> está associada a <span style="color:#ff0000;">assumir</span><span style="color:#3deb3d;"> </span>(em primeira instância para si mesmo) <span style="color:#ff0000;">suas opiniões sobre as coisas e as pessoas</span> e ter a <span style="color:#ff0000;">coragem de revelá-las sempre que ficar claro que há necessidade disso</span>. Quando percebemos que se <span style="color:#ff0000;">não</span> falarmos diretamente, passaremos a <span style="color:#ff0000;">ser hipócritas</span>. Quando percebemos que se trata de uma questão <span style="color:#ff0000;">ética</span> falar sobre aquilo, porque caso não falemos o outro será prejudicado sem possibilidade de se defender ou sequer saber que está sendo prejudicado. Quando nossas atitudes já falam há muito tempo aquilo que nos falta assumir em palavras e chegamos no <span style="color:#ff0000;">ponto em que não mais suportamos essa represa</span>. Seja falar um incômodo ou revelar uma paixão.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Ser sincero</span> é ter certeza que se tem coragem para falar, <span style="color:#ff0000;">se necessário</span>. O que nos dá <span style="color:#ff0000;">calma</span> para saber <span style="color:#ff0000;">se, quando e como</span> vamos <span style="color:#ff0000;">falar</span>. Sinceridade é ter coragem de <span style="color:#ff0000;">revelar paixão, amor e amizade</span>. Sinceridade é ter coragem de <span style="color:#ff0000;">romper</span> com relações que nos retiram energia, pessoas das quais andamos reclamando ‘por trás’, mas fazemos a manutenção da relação ‘pela frente’. Se vamos ou não dizer tudo que achamos daquela pessoa depende totalmente da situação e dos nossos objetivos. <span style="color:#ff0000;">Muitas vezes a sinceridade não está em falar, mas em simplesmente fazer</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">O rompimento de uma relação</span> é um rasgo que <span style="color:#ff0000;">abre espaço para novas relações</span>. Com outra(s) pessoa(s) <span style="color:#ff0000;">ou</span> ainda, depois de um tempo de rompimento, <span style="color:#ff0000;">uma nova relação com a mesma pessoa</span>. Nesse caso, ser sincero significa lutar para que a relação sobreviva, supere as crises através da transformação das pessoas que se relacionam, revelar opiniões ocultas de um sobre o outro, seu jeito de ser. Trata-se de uma descoberta &#8211; tirar o cobertor, destapar, desacomodar – em busca de salvar a relação.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Mas, <span style="color:#ff0000;">se temos claro que devemos dar fim à relação</span>, abrindo espaço para outras possibilidades, <span style="color:#ff0000;">ser sincero significa efetivar o ato</span> de separação. <span style="color:#ff0000;">Ele já diz muita coisa em si</span>. Provavelmente, muito já foi dito antes de se chegar a esse ponto. Talvez nesse momento de separação, falar tudo o que acha sobre o outro somente para esvaziar conteúdos ocultos, não seja um ato de sinceridade, mas de sinceridez. Mais sincero, no caso, talvez seja cuidar para que ambas as partes possam seguir independentes, sem rancores, sem amarras um no outro. Ou seja, efetivar a separação da melhor forma possível. Simplesmente sair sem dizer muita coisa.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Ser sincero é ter coragem de comunicar</span> incômodos e afetos que normalmente ocultamos uns dos outros. <span style="color:#ff0000;">Saber-se capaz de falar</span>, já ter feito isso diversas vezes, ter o hábito de fazer isso em suas relações cotidianas. Porém, ter a coragem de falar <span style="color:#ff0000;">não significa necessariamente ter que falar</span>. Pelo contrário. Saber-se capaz de falar caso sinta necessidade, nos deixa mais tranquilos para <span style="color:#ff0000;">buscar o momento e o tom melhor para que a mensagem seja mais efetiva</span>, receba menor resistência, modifique as atitudes e, principalmente, <span style="color:#ff0000;">abra espaço para que o outro também nos fale</span>, nos dê retorno sobre o que falamos sobre ele, <span style="color:#ff0000;">revele também suas opiniões ocultas sobre nós</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Esse <span style="color:#ff0000;">retorno</span> é que nos irá dar melhor <span style="color:#ff0000;">noção de realidade sobre nossas suposições e especulações</span> sobre os outros e as situações, <span style="color:#ff0000;">diminuindo nosso grau de fantasias e achares demasiados</span>, bem como mostrará nosso grau de cegueira para enxergar o que era óbvio.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Enquanto</span> o que achamos sobre o(s) outro(s) <span style="color:#ff0000;">permanece só com nós mesmos</span>, dentro de nossas cabeças, <span style="color:#ff0000;">podemos ter a ilusão de estar totalmente certos</span>. Ao comunicarmos tais coisas diretamente para esse(s) outro(s), invariavelmente o retorno deles sobre o que ouviram de nós, suas justificativas para o ocorrido, sua versão da história, seus motivos, etc. nos dão um <span style="color:#ff0000;">choque de realidade</span> onde percebemos claramente de que havia certa razão no que achávamos, mas que havia preconceito, que não estávamos enxergando o todo, que parte de nossas opiniões estavam equivocadas.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Fazer <span style="color:#ff0000;">fofoca é o meio termo</span> entre o discurso estar somente em nossas cabeças (fala interna) e ser aberto para as pessoas sobre as quais estamos pensando. Transformamos nossas palavras pensadas em palavras ditas, materializadas, mas não diretamente para aqueles sobre os quais falamos. Essa materialização já dá certo choque de realidade, mas seu efeito é blindado pela falta de retorno imparcial de quem nos ouve fofocando. A pessoa que ouve pode até tentar mostrar outros ângulos além daquele que a pessoa que fala trás, mas o que geralmente se espera da pessoa que nos ouve desabafar é que concorde conosco, não busque mostrar pontos contrários ao nossa parecer, não defendam aqueles de quem “falamos mal”. Se esse pacto não se estabelece bem, da próxima vez a pessoa procura outra pessoa par fazer fofoca, arruma outro amigo confidente que o entenda melhor e não fique questionando seu desabafo.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Como foi dito, <span style="color:#ff0000;">fazer fofoca dá certo choque de realidade em nossas opiniões fantasiosas, simplesmente por sua verbalização para alguém, mas mantém a blindagem que permite a ilusão de estarmos totalmente certos em nossos argumentos</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Um ponto importantíssimo sobre a <span style="color:#ff0000;">sinceridade</span> é que ela <span style="color:#ff0000;">também significa</span> ter a <span style="color:#ff0000;">coragem de assumir e expressar o que amamos</span>, o que <span style="color:#ff0000;">nos agrada nos outros</span>. Perceba que é clássica também a situação de falarmos que estamos apaixonados por alguém, para outra(s) pessoa(s) e não para a própria. Isso também é fofoca. Também nos revela o que precisamos assumir para sermos sinceros.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Outra situação clássica é aquela em que alguém vive reclamando sobre seu/sua companheiro/a, constantemente fala em separação, diz que só não se separa por causa dos filhos ou por causa do dinheiro ou por causa da família, etc. O tempo passa e a separação não se efetiva. Mudam as desculpas que justificam o porquê não se deve separar agora, mas o incômodo permanece. Ser sincero, nesse caso, talvez não signifique falar incômodos, mas assumir que ama a pessoa com quem convive há anos. <span style="color:#ff0000;">Talvez a dificuldade esteja em sentir felicidade</span> com o que há. Talvez o que esteja oculto seja o fato de sentir-se satisfeito com coisas a que há muito tempo não está dando o devido valor.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>É fato comprovado por todos os que se aventuram a ser mais sinceros, que <span style="color:#ff0000;">agressividade e afetividade são faces da mesma moeda</span>. <span style="color:#ff0000;">Quem começa a</span> ter coragem de <span style="color:#ff0000;">dizer o que não gosta</span> no outro, invariavelmente depois de um tempo <span style="color:#ff0000;">começa a perceber melhor</span> e também <span style="color:#ff0000;">comunicar aquilo que gosta</span> no outro, mas que a muito tempo não falava abertamente.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong><span style="color:#ff0000;">Quando ocultamos incômodos, automaticamente ocultamos afetos</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>A fofoca tem como principal assunto jeitos ou atitudes de pessoas que não participam da conversa, difíceis de serem diretamente comunicados à pessoa de quem falamos porque causariam constrangimento, exibiriam um problema que a pessoa vem arrastando a solução faz algum tempo, exporiam a fragilidade dessa pessoa e, finalmente, abririam a necessidade de mudança no jeito de ser dessa pessoa e na relação que se tem com ela. Pontos difíceis de serem expostos porque abrem as comportas do grande <span style="color:#ff0000;">pacto que segura esse outro de quem falamos de também não falar certas verdades sobre a nós</span>. Pontos difíceis de serem expostos porque sua comunicação se dá no campo da intimidade. Existe uma <span style="color:#ff0000;">falsa suposição</span> de que há necessidade de <span style="color:#ff0000;">primeiro</span> criar-se <span style="color:#ff0000;">intimidade</span> para <span style="color:#ff0000;">depois</span> poder, talvez, <span style="color:#ff0000;">comunicar diretamente</span> o que fofocamos sobre aquela pessoa. <span style="color:#ff0000;">Cabe perceber que é ao contrário</span>. Se <span style="color:#ff0000;">comunicarmos diretamente</span> o que fofocamos ‘por trás’, necessariamente <span style="color:#ff0000;">estaremos criando intimidade</span>. Essa intimidade pode tanto levar a maiores níveis de amizade como ao rompimento da relação. Mas de qualquer forma amplia as possibilidades de se estabelecerem relações de maior intimidade, crescimento pessoal e cumplicidade.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Uma das finalidades das <span style="color:#ff0000;">psicoterapias</span> somáticas é renovar e <span style="color:#ff0000;">ampliar a capacidade das pessoas de criar intimidade</span> no processo de recuperação da <span style="color:#ff0000;">potência orgástica</span>. Digo renovar porque as crianças naturalmente buscam trocar intimidade, contam seus problemas pessoais, falam dos nossos, se expõe e nos expõe facilmente.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>A <span style="color:#ff0000;">terapia</span> pode ser um <span style="color:#ff0000;">ato contínuo</span> porque somos seres em constante mutação. Estar em constante terapia é colocar em movimento a energia de comunicação que se perde em fofoca. Ampliar as possibilidades de falar de si e sobre o outro sinceramente. Romper pactos e padrões condicionados de comunicação. Saber ouvir o que o outro nos diz sobre nós.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>A <span style="color:#ff0000;">terapia precisa ajudar a desenvolver formas de comunicar</span> o que falamos dos outros diretamente para esses outros <span style="color:#ff0000;">sempre que isso for importante para nossa autenticidade</span>. Falar de uma pessoa para a própria é um ato de enfrentamento para quem fala. Trabalhar a dificuldade de <span style="color:#ff0000;">ultrapassar esse desafio consiste em primeiro fazer com que essa comunicação se expresse</span> e, segundo, que a forma com que ela aconteça esteja <span style="color:#ff0000;">sintonizada também com a dificuldade do outro em ouvir sobre si</span> mesmo. Ultrapassar a dificuldade de <span style="color:#ff0000;">comunicar sem apelar para um tom bruto ou superior</span> que muitas vezes surge nesse momento como um processo de defesa de quem fala. Mas, <span style="color:#ff0000;">esse aprimoramento</span> da forma de bem comunicar assuntos delicados <span style="color:#ff0000;">só se consegue ao praticar</span> esse falar <span style="color:#ff0000;">seja como for</span> que à princípio se consiga. Com a experiência, com os <span style="color:#ff0000;">erros e acertos</span>, é que se consegue cada vez mais <span style="color:#ff0000;">tornar eficaz essa comunicação</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Analogamente a terapia deve <span style="color:#ff0000;">fortalecer nossa autoestima</span> sem perder de vista a necessidade de mudança de nosso jeito de ser, para podermos <span style="color:#ff0000;">não atacar quem nos comunica diretamente suas opiniões sobre nosso jeito de ser e nossas atitudes</span>, mesmo que não concordemos inteiramente com elas.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>A <span style="color:#ff0000;">pessoa que nos vê de fora não vai acertar exatamente</span>, numa análise que faça sobre nosso jeito de ser, por melhores ou piores que sejam suas intenções. Isso, porém, não deve servir de caminho de <span style="color:#ff0000;">escapatória para que não enxerguemos</span> que naquela comunicação há <span style="color:#ff0000;">algo que nos diz respeito</span> e interessa ao nosso saber sobre nós mesmos.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>As <span style="color:#ff0000;">opiniões que temos</span> sobre outras pessoas ou sobre seus motivos para agirem como agem ou sobre fatos que aconteceram envolvendo essas pessoas, só <span style="color:#ff0000;">caem do lugar de “verdades absolutas” quando recebemos o retorno</span> dessas pessoas resultado da comunicação <span style="color:#ff0000;">das opiniões que emitimos</span> sobre elas. Enquanto nossas opiniões estão guardadas dentro de nós, elas são certezas que carregamos. Ao comunicarmos diretamente essas opiniões abrimos o canal, também direto, de retorno sobre elas. Geralmente percebemos que as coisas não são exatamente como achávamos que fossem nos nossos pensamentos e fofocas. Esse processo é fundamental para o crescimento de nossa percepção acerca dos fatos, das coisas, das pessoas e de nós mesmos. <span style="color:#ff0000;">Quando fofocamos tornarmos esse retorno mínimo</span>, já que uma terceira pessoa só pode supor acerca do universo da pessoa de quem se fala.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Estar dentro de <span style="color:#ff0000;">um processo de comunicação com baixos níveis de fofoca e altos níveis de comunicação direta</span>, nas diversas esferas sociais: família, amigos, vizinhos, colegas de trabalho, comércio, etc. provoca pequenas revoluções cotidianas, mexe com estruturas de convivência já estabelecidas, <span style="color:#ff0000;">promove mudanças pessoais e na dinâmica dos grupos</span>.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Em todas as esferas de socialização, <span style="color:#ff0000;">a energia gasta em fofoca</span> &#8211; digo tudo aquilo que se fala de alguém, mas não se fala para esse alguém – <span style="color:#ff0000;">desperdiça a força de transformação</span> provocada pelo <span style="color:#ff0000;">impulso humano de comunicar o que lhe afeta</span> no cotidiano. Ao falarmos com uma terceira pessoa sobre uma segunda pessoa em nossas vidas, estamos esvaziando uma necessidade de comunicação, satisfazendo uma ânsia interna. Essa energia, que foi gerada pelos fatos e a eles deveria ser devolvida, perde sua função de mover as pessoas para estados de maior consciência sobre si. Ela é o agente que limpa o espelho &#8211; o retorno que recebemos do mundo sobre nossas atitudes, o que sabemos sobre o que os outros acham de nós. Sem esse reflexo não sabemos quem somos. E nem quem são as pessoas. Não nos revelamos e não enxergamos o outro. Trocamos segredos, desabafamos, mas não criamos intimidade entre nós.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>A <span style="color:#ff0000;">fofoca é cultural</span>. Ela <span style="color:#ff0000;">se perpetua</span> há séculos em nossas sociedades <span style="color:#ff0000;">porque tem</span> importante <span style="color:#ff0000;">função</span> – ela é o cano de escape que <span style="color:#ff0000;">não deixa transbordar a represa</span> que <span style="color:#ff0000;">sustenta o </span><span style="color:#ff0000;"><em>pacto de mediocridade</em></span> que impera em nossas relações cotidianas – não falo minhas sinceras opiniões sobre você e não quero ouvir suas sinceras opiniões sobre mim.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Há um <span style="color:#ff0000;">hiato</span> entre a comunicação racional e a comunicação corporal que se estabelece a partir do <span style="color:#ff0000;">paradoxo comunicacional</span> que o pacto de mediocridade implanta em nossas comunicações interpessoais. O Corpo permanece sendo sincero naquilo que comunica, mesmo quando isso não combina com o conteúdo de nossos discursos.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Há anos pesquiso um <span style="color:#ff0000;">interessante fenômeno</span> que qualquer um atento ao fato, irá percebê-lo: <em>todas as vezes que alguém diz “vire à direita” (por exemplo), mas sua mão esquerda faz um sinal virando para esquerda, pode verificar que o discurso estava “enganado”.</em> Por isso quando uma pessoa estiver te dando instruções sobre o caminho para chegar a algum lugar, se o corpo dela gesticular algo diferente das instruções dadas pelo conteúdo de seu discurso, pode questioná-la, porque ela invariavelmente irá dizer que se enganou em seu discurso. Um exemplo que aconteceu essa semana comigo – uma vizinha me pediu um abridor de garrafas emprestado, mas no momento em que falou isso, sua mão se fechou e torceu o ar, repetindo essa torção duas vezes. Eu lhe perguntei: não seri um saca-rolhas o que você quer? Ela riu e disse: sim é um saca-rolhas e não um abridor de garrafas.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Nesse simples fenômeno se revela toda coerência metodológica da Psicologia Somática. Esse hiato de entendimento que aparece inocente nessas situações é o mesmo que está na gênese das neuroses e divergências entre o que somos e o que queremos ser.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Exatamente por <span style="color:#ff0000;">insistir em ser sincero</span> em suas comunicações, o Corpo <span style="color:#ff0000;">precisa ser constantemente contido</span>. Essa contenção constante <span style="color:#ff0000;">consome enorme quantidade de energia vital</span>. Essa energia vital desviada <span style="color:#ff0000;">é a fonte energética das neuroses</span>. Energia retirada da Vida plena em sua expressão espontânea e direcionada para contenção dessa expressão.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Um <span style="color:#ff0000;">ambiente social</span> que nos dá a <span style="color:#ff0000;">possibilidade de ser sinceros</span> em nossos discursos, <span style="color:#ff0000;">permite aos Corpos</span> relembrar como é <span style="color:#ff0000;">expressar</span> sua sinceridade sem contenções. A comunicação corporal pode <span style="color:#ff0000;">se reaproximar do discurso</span> que sai de nossas bocas. Essa experiência trás uma inédita <span style="color:#ff0000;">sensação de completude</span>, semelhante a algo já experimentado na infância, mas novo porque agora somos adultos.</strong></span></span></p>
<p><span style="color:#ffff00;"><span style="font-family:Verdana, sans-serif;"><strong>Um ambiente social assim estabelecido e mantido por um tempo, tem <span style="color:#ff0000;">efeito terapêutico</span> por si só. Além dos conteúdos revelados nos discursos, o que transforma as pessoas é a possibilidade de ser sincero sem ser reprimido ou excluído. Nesse ambiente a fofoca perde sua função e se extingue enquanto prática social. A <span style="color:#ff0000;">energia anteriormente gasta</span> em fofoca pode, então, ser <span style="color:#ff0000;">usada como força de transformação</span> do caráter, personalidade ou jeito de ser de quem ouve e de quem fala sobre si e sobre o outro, sinceramente. Tal ambiente é o que em Psicologia Somática chamamos de <span style="color:#ff0000;"><em>ambiente profilático de neuroses</em></span>.</strong></span></span></p>
<p><strong>Copyleft</strong></p>
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